O NOSSO CONCEITO

Acreditamos que Cuidar é uma das tarefas que fazemos mais vezes. Cuidamos de nós, dos outros, do planeta, do ambiente… ou não cuidamos!

Cuidamos em todas as idades e das mais variadas formas. Começamos sempre por cuidar de nós; do dedo que magoamos, do dói-dói pelo qual pedimos beijinho, da luta que fazermos com os pais para brincar onde queremos e com quem queremos, e cuidamos depois de tudo, dos filhos quando alimentamos, quando nos zangamos, quando ensinamos, mas também, quando brincamos, contamos histórias ou jogamos à bola; cuidamos da casa, do marido, ou da mulher, mas também, quando nos arranjamos para nós e para o outro, quando fazemos amor, quando olhamos os outros, quando passeamos de mãos dadas na praia ou numa rua cheio de gente e quando por fim, cuidamos dos nossos pais, sem querer cuidar, porque a nossa criança interior não quer e não percebe porque é que não são eles a cuidar de nós!

 

Cuidamos da terra, da casa onde nascemos, das memórias da infância e de outras que nem sabemos de onde vêem ou então escondemo-las lá bem fundo, dentro do baú, no fundo mais fundo dos nossos corpos morfogenéticos.

E por isso, quantas são as vezes, em que nos esquecemos de Cuidar de nós, de nos olharmos, de estarmos connosco, de nos mimarmos!

Em tempos ancestrais, culturalmente Cuidar era tarefa única e exclusiva da família. A família foi sempre o porto de abrigo, o local onde tudo se iniciava e terminava, o local onde, por excelência, se aprendia a ser, a estar e a fazer.

Com o decorrer do tempo, a família foi delegando estas funções à escola e à comunidade, mudando valores, a sua importância e entregando os seus a outros, que por sua vez também entregavam os seus a outros, num ciclo com regras éticas, pouco definidas e confusas, tendo como consequência, a quase ausência do Cuidar de si e do Outro e levando a uma queda cada vez mais profunda da instituição familiar, reduzindo o seu papel nos cuidados aos seus familiares juniores e seniores, sendo cada vez mais difícil a família assegurar a cada membro, as funções que tradicionalmente lhe cabiam, como resolver, ou ajudar a resolver os problemas que se colocam aos mais novos e aos mais velhos.

 

Hoje, nem sempre é possível crescer e envelhecer no seio de uma família que transmita estabilidade e segurança e muitas vezes, a falta de tempo, o desconhecimento de como fazer, as dúvidas sobre se se está a fazer bem ou não, geram frequentemente problemas de stress e emocionais, levando a algum deterioramento da saúde física e mental, de quem cuida de toda a família.

Por outro lado, a representação social do sénior foi-se também degradando ao longo do tempo e passou-se da Anciania – Sabedoria, Experiência, para uma imagem de perda de capacidade, fragilidade dependência, institucionalização mobilidade reduzida, pobreza, isolamento, solidão, doença e demência.
Velhice é para muitos, sinónimo de exclusão e sofrimento. Hoje, ser ancião é sinónimo de incorporar estereótipos culturais depreciativos, que são mitos associados a uma imagem deturpada da velhice.

A importância social do Envelhecimento, deixou de ser importante!

Cuida-se do sénior consoante a imagem estereotipada culturalmente que se tem dele e é esta a imagem que se passa aos mais novos. De geração em geração, passam-se valores de desrespeito para com cada um de nós.

Ensinamos a capacidade de nos desrespeitarmo-nos e nem percebemos que ao transmitirmos este pensamento e este sentir aos mais novos, ensinamos-lhes a capacidade de se degradarem, a partir dos primeiros cabelos brancos ou das primeiras rugas, como se de uma necessidade ou obrigação se tratasse.

Nunca se estudou tanto sobre a infância, a adolescência e o envelhecimento, nunca se soube tanto e nunca crianças, jovens e seniores estiveram tão acompanhadamente abandonados em casa, na escola e no Lar.
Os dias são organizados mais em função do trabalho do que das necessidades familiares. Ou porque se privilegia a carreira profissional, a imagem, o ter em detrimento do pessoal, do interior e do ser, ou porque se é obrigado (a) a trabalhar para conseguir fazer face a todas as despesas.

 

O desfasamento e a ausência de políticas sociais eficazes e eficientes para a família leva a que esta navegue em mar revolto a braços com ondas enormes, ora tirando água do bote, ora consertando pedaços inconsertáveis, ora, numa atitude de desgaste e confusão, fica-se estirado ao sol sem querer saber se os mais novos já sabem nadar e se os mais velhos ainda conseguem.
Deixou de haver tempo, disponibilidade e sabedoria para ensinar como ser, para dar ferramentas, para cuidar.

 

Cada vez mais se cuida consoante a imagem que temos dos outros. Os mais novos crescem antes do tempo e os mais velhos começam a deixar de ser pessoas assim que aparecem as primeiras rugas e os primeiros cabelos brancos.

 

E assim se Cuida. Cuidamos mal, muito mal, porque cuidamos consoante a representação social, os preconceitos e os pré-conceitos que fazemos de cada grupo etário e na maior parte das vezes, a imagem é completamente desfasada da realidade.

 

Temos assim nas famílias um aglomerado de pessoas que não se conhecem, acreditam em ilusões a que vão chamando culturas e vivem em cima duma corda bamba, cuja vista é um precipício entre os diferentes grupos etários. E então temos os pirralhos, os miúdos, os adolescentes, os jovens, os quase adultos, os velhos e os tais adultos ensanduichados entre os mais novos e os mais velhos, que cada vez mais se zombizam e zombizam quem os rodeia na esperança vã de encontrarem o paraíso na terra, para fugirem à caixa de pandora que têm entre mãos.

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