As várias formas da Não Participação das Pessoas Maiores em Contexto Institucional


As várias formas da Não Participação das Pessoas Maiores em Contexto Institucional

– Quando a vida fica para depois...



Quando se deixa de ter direito a escolher a nova casa!


A liberdade de escolha é um direito e um dever que qualquer um de nós tem e, por isso, qualquer pessoa maior, em situação de dependência ou não, em contexto institucional ou em outros contextos, também tem o mesmo direito e o mesmo dever. Assim, a pessoa maior tem o direito de querer participar e, de não querer participar nas actividades da instituição onde está inserida. Ou seja, tem o direito de voluntariamente querer participar ou não.


Tem o direito de escolha! Deste modo, as formas de participação devem ser mostradas e iniciadas desde o 1º momento, para que as possam ou não escolher. Contudo, a não participação inicia-se, muitas vezes, no momento da inscrição, onde só a família aparece para inscrever o seu familiar sénior.

Também, muitas são as vezes, em que o próprio sénior não imagina que está ser inscrito, não deu o seu consentimento, não quer ir viver para um Lar.

Há muitas instituições que fazem uma visita domiciliária para conversar com a pessoa maior e confirmarem a sua vontade ou não, em residir numa instituição. Muitas vezes percebe-se que não há vontade, mas a resposta é afirmativa pela necessidade ou imposição familiar, porque não quer incomodar, porque se sente um fardo, para fugir a maus-tratos, para…

Infelizmente, ainda são inúmeras, as instituições públicas e privadas que não o fazem e, não sabem nada sobre a vontade de quem vai ser institucionalizado.


Nem todas as instituições mostram a casa, antes do futuro utente/cliente ir para lá viver. É mais um direito e um dever que se perde e bastas as vezes, a pessoa maior conhece a sua nova casa, o seu novo quarto, o seu/ a sua companheiro/a de quarto no dia em que entra para iniciar a sua nova vida.


Todos nós, pelo menos enquanto a sociedade nos considera autónomos e independentes, vistamos várias casas para podermos escolher qual a que mais gostamos, a que mais satisfaz as nossas necessidades. Mas alguns, num determinado momento das suas vidas, não têm esse direito e a casa que os acolheu toda uma vida, fica para trás com todas as memórias da família, das situações, dos conflitos, zangas e reconciliações, do amor, de o fazer e de o parir, com todas as memórias do seu Ser… para passar a viver limitada/o a uma cama, uma mesinha de cabeceira, um roupeiro, às vezes a uma cadeira e a umas gavetas de cómoda que não escolheu e onde nem sequer pode levar muita coisa, porque o espaço é pequeno…


Muitas vezes quando entra na instituição que o/a acolhe, a pessoa maior sabe que toda sua vida, ficou lá fora…


Regina Azevedo Lourenço



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