• Maedra

Violência Institucional sobre Pessoas Maiores

Envelhecer com dignidade pode ser muito difícil. Mas não é impossível!

É necessário que a família, a sociedade e o poder público reflictam sobre a responsabilidade de dar à Pessoa Maior uma velhice com dignidade e denunciar todos aqueles que não a respeitam, não a dignificam e não a reconhecem por medo, por ignorância, veleidade...

Apesar de haver algumas denúncias, pouco se tem feito. É por isso urgente que algumas medidas de divulgação e prevenção sejam tomadas, até mesmo como força de intervenção, com o objectivo de garantir dignidade, cidadania e respeito em relação à Pessoa Maior e acima de tudo ao Ser Humano. A violência impõe obstáculos a um envelhecimento seguro e digno, por isso, a participação de todos é fundamental, para que se previna de forma efectiva a violência. É urgente que esta má prática se torne visível, assumida e reprovada, pois é real e acontece de forma quase despercebida como por exemplo quando a fralda não é trocada, quando a medicação não é administrada adequadamente, quando alguém ou as instituições se apropriam de bens, quando o lar se transforma numa prisão, quando a família ou a instituição decide pelo sénior, sobrepondo-se à sua vontade, ou se lida com a demência ou com alguma perturbação de personalidade, de forma inadequada, desapropriada, ridicularizando, por ignorância, desconhecimento ou mau carácter.

Segundo os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) os agressores são os filhos (39,6%), o cônjuge (26,5%), os vizinhos (4,4%) e os netos (36%).

Não existem dados concretos sobre os agressores institucionais, que são muitos, mas incógnitos, escondidos sobre o manto da invisibilidade e com a face de santos e salvadores, de quem não fará com certeza nenhum mal, ou não fossem as instituições seniores os mais altos consignatários da temática/problemática do Envelhecimento. Não se espera que quem recebe pessoas, algumas em situação de dependência, com o comprometimento de as cuidar e a quem se paga pelo cuidar, lhes faça ou permita que lhes façam mal. Mas a verdade é que acontece e não é por se olhar para o lado, que a violência institucional não existe, numa grande parte das instituições seniores em Portugal, onde a tendência para a rigidez, o aprisionamento, a débil participação dos utentes/clientes, cada vez é mais visível e deixando também cada vez mais, uma imagem de marca negativa.

Para Edmundo Martinho (Prevenção à Violência Institucional, 2002) “insultar, desprezar, ameaçar, golpear, ridicularizar, explorar, ignorar, abandonar, marginalizar… são manifestações de violência igualmente gravosas que causam danos físicos, psicológicos e materiais à pessoa afectando o seu corpo, a sua forma de entender o mundo, a sua sexualidade e afectividade, a visão que tem de si e a sua dignidade.” Se na família há reacções resultantes de sentimentos, emoções, histórias passadas e presentes… Já em contexto institucional há um compromisso e um pagamento para que se cuide BEM, para que as vulnerabilidades sejam vistas e olhadas com respeito, sabedoria e muita dignidade. Se na família não se tiraram cursos e especializações para se cuidar dos seus e nem por isso, têm o direito de maltratar, em contexto institucional pagam-se a profissionais de várias áreas que se pretende saibam ser, saibam estar e saibam fazer.




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