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Image by Kelly Sikkema

II Seminário de Serviço Social​

Serviço Social e Saúde Mental - O Burnout nos Assistentes Sociais

“O Burnout é um esgotamento físico e mental que está ligado ao exercício da profissão, em condições físicas, emocionais, cognitivas e comportamentais desgastantes e acima da capacidade da pessoa lidar com ela” Maria Antónia Frasquilho, Psiquiatra

 

A saúde mental é um assunto ainda tabu em Portugal para muitos. Com o crescente acúmulo de atividades diárias, pessoais e profissionais, é urgente que se dê atenção especial à saúde da mente. Actualmente, cada vez mais, há mais pessoas a sofrer com  o esgotamento profissional (burnout) que vem ganhando terreno nos últimos anos –  Normalmente, surge após o profissional passar por situações de trabalho desgastantes, como sejam excesso de responsabilidade, períodos de trabalho intenso, muita procura de serviço, poucos colaboradores para a quantidade de serviço e a qualidade desejada, pressão de hierarquias, excesso de ligações diárias… 

Caracteriza-se por sentimentos de exaustão física e/ou mental, emoções negativas relacionadas com o trabalho, baixa realização profissional,  diminuição de produtividade, dúvida sobre a sua acção profissional, cansaço físico e mental, dificuldade na concentração, problemas gastrointestinais, sensação de falta de ar, palpitações, dores de cabeça e alterações do sono.

Estas situações de elevado stress, levam, na maioria das vezes, a perturbações da ansiedade, depressão e a outras doenças associadas, havendo a necessidade de se recorrer a medicamentos químicos ou naturais contínuos para amenizar esses sintomas e levar uma vida com alguma qualidade.

 

A sídrome de Burnout é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2019.

 Em Março de 2021, Portugal foi apontado como o país da OCDE com maior risco de Burnout e o quinto país que mais horas trabalha, uma média de 39,6 horas semanais.

 

O Burnout nos Assistentes Sociais  tem ocupado, lamentavelmente, um lugar de  destaque. Apesar de não existirem dados concretos, denota-se um elevado número de profissionais com esta doença ou com a  sintomatologia da doença, denotando-se um avanço nas camadas mais jovens, tendo-se agravado em contexto pandémico.

 

As orientações sem sentido e desprovidas de saber técnico-científico, os dilemas éticos entre o que faço e o que devo fazer, o assédio moral, a pressão institucional, as respostas rígidas, estereotipadas e estipuladas, com tempos mínimos pré-definidos de atendimento à população sem se ter em conta as suas necessidades sentidas, a usurpação de funções, os baixos salários, a invisibilidade da profissão, bem como o pouco investimento na formação, na supervisão profissional, são alguns dos maiores responsáveis pelo burnout nos assistentes sociais.

 

Estrategicamente, as instituições têm valorizado quem fica depois da hora, quem atende a todas as chamadas, mesmo  as recebidas em casa, fora de horas, seja ao fim de semana ou ao fim do dia, quem trabalha ao fim de semana, feriados ou folgas, quem leva trabalho para casa, quem realiza actividades para além das que lhe compete….

Aqui, não interessa a invasão do espaço familiar e muito menos o tão falado supremo interesse da criança. Para as instituições, as crianças são invisíveis bem como os pais e  as mães que permitem esta invisibilidade, como se lhes tivesse sido dado um xarope que os torna sumiços e lhes retira a capacidade de ver para além do que se vê.

 

Ardilosamente, toda a cultura organizacional, beneficia da necessidade de o profissional se afirmar ou de provar ser  sempre capaz, depois, beneficia da sua dedicação intensa, excessiva e exagerada e por último, beneficia da ilusão de que sem ele, a instituição não funciona. Quando se chega aqui, já se cegou e já se desleixou com a família, a rede de amigos e principalmente consigo próprio.

 

São, evidentemente, as mulheres, as que mais sofrem desta situação, uma vez que o Serviço Social é uma profissão no feminino e, por isso, sofrem de excesso de trabalho e de stress devido à acumulação de papéis, que implicam tarefas e exigências profissionais, parentais e domésticas, num grau muito superior ao que acontece com os homens.

 

Apostar na prevenção é o caminho. O auto cuidado, saber dizer NÃO, a informação/formação sobre direitos, o auto-conhecimento, a alimentação consciente, o lazer, o treino no empoderamento pessoal e profissional, são, sem dúvida, algumas das formas de prevenção fundamentais na prevenção do burnout.

 

Pretende-se com este Seminário olhar para o burnout nos assistentes sociais, falar sobre as suas causas, consequências e formas de prevenção, por forma a que deixe de ser um elefante no meio da sala, tomando consciência dos perigos e saindo da matriz institucional, porque "a fadiga que sentimos não é tanto do trabalho acumulado, mas de um quotidiano feito de rotina e de vazio. O que mais cansa não é trabalhar muito. O que mais cansa é viver pouco. O que realmente cansa é viver sem sonhos".

 

Mia Couto, in "O Universo Num Grão de Areia".

 

 

Programa Provisório

 

9h40 - Recepção dos participantes

 

10h - Abertura - O Burnout nos Assistentes Sociais, um elefante no meio da sala? 

Dra Regina Lourenço - Assistente Social e CEO da Academia de Empreendedorismo em Serviço Social

 

10h15- Causas e consequências do Burnout nos Assistentes Sociais

Profª Dra Cláudia Moura - Assistente Social, Líder do MEC, Diretora Técnica Avós D'ouro.

 

11h - O Burnout na 1ª Pessoa - O Testemunho de uma Assistente Social

Dra Lília Mendes - Assistente Social 

 

11h15- Debate

 

11h30 - Intervalo

 

11h45 - A importância e a urgência do auto cuidado e do auto conhecimento  na prevenção do Burnout

Mestre Isabel Gonçalves – Assistente Social

 

13h – Debate

 

13h15- Almoço

 

 

14h30 - As Artes como processo terapêutico na prevenção do Burrnout

Terapeuta Rita João - Arteterapeuta

 

15h - Como a Formação resguarda o Burnout

  Mestre Ilda Reis – Assistente Social

 

15h15 - Debate

 

15h25 – Dizer NÃO é Obrigatório!

Terapeuta Manuela Moleirinho  - Terapeuta Transpessoal

 

15h40 – Debate

 

15h50 – Intervalo

 

16h – Como o Amor Próprio e a falta dele se repercute no sistema familiar

Dra. Leonor Monteiro – Psicóloga e Terapeuta Transpessoal

 

16h20 - Debate

 

16h30 – A Felicidade nas Organizações

Dra Teresa Preta  - Ceo Happy Mode

 

16h50 – Debate

 

17h – O Serviço Social Autónomo, um outro caminho no Serviço Social  e os seus contributos para a redução dos sintomas de exaustão

Dra Dora Dias – Assistente Social

 

17h15 -  Apresentação do GASP – Gabinete de Assistentes Sociais Privados

Dr João Henrique Pereira – Assistente Social e Mediador Familiar

Dra Ana Sofia Mota – Assistente Social

Dra Helena Correia – Assistente Social

Dra Lília Mendes – Assistente Social

 

- Moderação – Dra Dora Dias

 

17h45– Palestra de Encerramento – ESCOLHE-TE!

Mestre Paulo Falcão – Coach

 

18h – Encerramento

Dra Regina Lourenço

Data e Horário: 15 de Junho das 9h30 às 18h30

Investimento: 

12€ (alunos da Academia e Estudantes de Serviço Social) 

18€ (outros profissionais)

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