• Maedra

As Cartas da Avó Lola

Paola - Bem, não me digas que te acordaram ás 6h30 da manhã para te darem uma banhoca? Lola o que fizeste tu? Isso é inacreditável. Conta -me, como foi?


Lola-  E voilá! No meio dos meus receios, eis que entra pelo quarto dentro, uma ajudante de lar munida  de 1 carrinho com toalhas, gel de banho, esponjas e outros utensílios.  Estremeci e senti-me no dentista!

Sabes  que gosto de tomar duche e sabes o quanto gosto de dormir até há hora que me apetecer. Não queria tomar banho, queria ficar ali deitada no quentinho. Por favor, eram 7h da manhã e eu só tinha conseguido adormecer muito depois da meia-noite. Não tinha dormido o suficiente e de repente senti-me exausta!

Mas foi a minha companheira que foi acordada com um sonante,  - Bom dia, D. Lurdes vamos lá acordar que já é dia, vamos lá sua dorminhoca, vamos tomar um banhinho, sim?

Não percebi esta forma infantil como a ajudante de lar tratou a Lurdes, parecia que estava a acordar uma miúda. Mas antes que a Lurdes pudesse acordar verdadeiramente, toca de destapar, mesmo com a porta do quarto toda escancarada,  levantar e casa-de-banho com ela! A Lurdes apesar de ter alguma autonomia, perde muitas vezes o equilíbrio, tendo de andar com um tripé para se sentir mais segura e confiante. Por isso tem de tomar banho acompanhada. A porta continuava toda aberta e eu senti-me mais pequena que um mosquito.

Depois de tomar banho,  a Lurdes voltou para a cama até ás 8h, altura em que se levantou e vestiu para ir tomar o pequeno almoço. Não faz  qualquer sentido!  Fazerem um grande alarido, acordarem a maior parte das pessoas ás 6h30/7h da manhã, para depois os mais autónomos voltarem para a cama para se levantarem 1h30m depois!

O que tenho percebido é que os banhos a esta hora têm a ver, por um lado,  com a organização do trabalho da equipa de ajudantes de lar - convém dar o maior número possível de banhos  até ás 8h, altura em que sai uma equipa e entra outra e por outro lado, com o total desconhecimento da direcção no que toca à área social. E claro, quem se lixa é o mexilhão!

Não se tem em conta as necessidades sentidas dos residentes. O que é tido em conta são as necessidades da equipa, ou seja as necessidades objectivas

Pergunto-me qual o papel da equipa técnica e das respectivas direcções nesta organização de trabalho? Ou seja, porque não há pessoal suficiente na hora dos banhos, por forma a que ninguém tenha de se levantar tão cedo? Porque  a equipa não trabalha  a articulação das necessidades sentidas e objectivas? Esse é o papel de um líder! Pergunto-me também se nestas instituições existem lideres, se não serão todos mais chefes?

As famílias terão noção do cedo da hora a que os seus estão sujeitos? É que eu tudo bem. Só tenho duas pernas partidas , mais um tempo e estou a ir embora , mas, e os que estão por aqui até voltarem para Casa?  É  como tu dizes- tás aqui, tás ali e num ápice estás do outro lado da dimensão.

E quem é demasiadamente velho? Doente? Lar não significa  lugar seguro, família, local onde se está á vontade, aconchego? Porque chamamos lar a um local que afinal, não o é?



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