Hoje tive saudades de mim...


Hoje tive saudades de mim…

Depois de tomar o pequeno-almoço fui até à porta de entrada devagar e a pensar que há tempos atrás, atravessava aquele corredor bem arranjada porque ia dar um passeio a Lisboa. Hoje, ia só olhar para a rua e sentir que existo.

Queria ver a rua, os carros a passarem, alguém que fosse às compras… Talvez até passasse alguém conhecido e parasse para me dizer adeus...

E lá fui, devagar, para demorar tempo, porque a meio do corredor, já se vê a rua!

Quando cheguei à porta, preparei-me para ficar ali, com o meu nariz encostado à porta, como a criança que trago dentro de mim há tantos anos, gostava de fazer.

Mas mal encostei o nariz e pousei a minha mão na fechadura da porta para me apoiar, tu gritaste como se eu tivesse cometido um crime. Quando me virei, chamavas alguém para me vir buscar e por momentos, pensei que era a polícia. Mas não, era muito pior, chamavas alguém que convivia comigo todos os dias e se achava no direito de saber o que era melhor para mim e para todos.

Numa sofreguidão fui arrastada para o meu quarto e fiquei lá fechada até à hora do almoço, não fosse fugir outra vez para encostar o nariz na porta para ver a rua…

Fiquei de castigo porque parece que posso ter ou ficar com uma doença parecida com lepra e serei responsável atá à morte, se pegar a lepra a alguém.

Fiquei sem saber quem sou. Uma mulher de setenta anos ou uma criança de sete? E quem me cuida? Mulheres ou pequenos monstros?

Queria tanto voltar para casa, para o aconchego da minha cama, a calma do meu canto, para os braços da minha filha, para a brincadeira dos meu netos... e a minha criança quer voltar para o colo da minha Mãe.




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